Pressões humanas e impactos na dinâmica erosivo deposicional do alto rio das Velhas: análise comparativa entre as bacias do rio Maracujá e ribeirão do Mango

RESUMO

As sub-bacias do Rio Maracujá e Ribeirão do Mango são contíguas e se situam na porção sul do alto Rio das Velhas, em parte coincidente com o Quadrilátero Ferrífero. O presente trabalho tem como objetivo geral comparar a dinâmica erosivo-deposicional das bacias do Rio Maracujá e Ribeirão do Mango. A partir de níveis e seqüências deposicionais fluviais são observadas alterações na dinâmica hidrossedimentar durante o cenozóico, algumas possivelmente em razão de usos e atividades humanas. Correlacionando-se taxas de turbidez com dados de uso e ocupação do solo, busca-se identificar pressões humanas e seus impactos na erosão acelerada e assoreamento das calhas fluviais. Os resultados mostram uma gradual redução da carga de finos e um aumento de carga arenosa nos depósitos atuais. Entretanto, enquanto no Rio Maracujá o grande aporte sedimentar moderno é atribuído principalmente ao intenso voçorocamento no embasamento, além do uso incorreto do solo, no Ribeirão do Mango o expressivo aporte de sedimentos se deve aos voçorocamentos nas áreas do Super Grupo Minas. Destaca-se também na bacia do Mango o processo de encouraçamento da calha pelo nível basal de seixos do Terraço Intermediário Inferior, freando a dinâmica de encaixamento e reduzindo a capacidade de transporte de sedimentos.
Palavras-chave: geomorfologia fluvial; alto rio das Velhas; impactos ambientais.

INTRODUÇÃO

Os cursos fluviais são sistemas reconhecidamente frágeis, nos quais qualquer interferência humana, direta ou indireta, pode acarretar impactos de difícil controle e reversão (TOMMASI, 1994). Diversas são as atividades humanas capazes de interferir nos ambientes fluviais, o que se verifica na alteração de parâmetros da qualidade das águas, sejam eles físicos, químicos ou biológicos. Toda atividade humana se constitui numa pressão sobre o ambiente, podendo alterar direta ou indiretamente o regime hidrológico em uma bacia hidrográfica, o que pode levar a alterações de seu padrão fluvial, por exemplo. Esse tipo de alteração pode ser considerado um impacto ambiental, ou seja, uma alteração da qualidade ambiental resultante de uma pressão humana no ambiente (SÁNCHEZ, 2008).

Os impactos de atividade antrópicas nos ambientes fluviais podem ser percebidos a partir da alteração da morfologia fluvial, das características das seqüências estratigráficas deposicionais (como terraços fluviais, nível de várzea e barras de canal), além da variabilidade das vazões e de parâmetros físico-químicos das águas. O estudo dos depósitos sedimentares fluviais pretéritos e atuais, orientado sob a ótica das características dos pacotes sedimentares e de fácies, pode revelar a influência de eventos naturais episódicos e possíveis impactos antrópicos no ambiente (MAGALHÃES Jr., 1994).

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