Abordagem metodológica da geodiversidade e temas correlatos em Geossistemas Ferruginosos

Resumo

Os estudos relacionados à geodiversidade, geoconservação, geoturismo e geopatrimônio buscam compreender a Terra a partir de uma visão holística, associado a teoria de Gaia, onde os elementos bióticos e abióticos constituem um sistema dinâmico e integrado. O prefixo geo surgiu na década de 1990 com intuito de uma abordagem sistêmica para os ecossistemas terrestres, embora a diversidade abiótica seja o alvo principal. Os geos (diversidade, patrimônio, conservação e turismo) apresentam técnicas e métodos específicos, nesse contexto o presente trabalho buscou apresentar os métodos qualitativos e quantitativos aplicados aos Geossistemas Ferruginosos, a partir de trabalhos desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais. O estado de Minas Gerais representa a maior porção dos Geossistemas Ferruginosos do Brasil, esses geossistemas possuem importantes valores patrimoniais, além de elevado valor econômico, justificando a utilização de métodos que auxiliem no inventário, conhecimento científico, educação ambiental, reconhecimento patrimonial e medidas de conservação.
Palavras–chave: geodiversidade, geopatrimônio, geoconservação, geoturismo, métodos, geossistemas ferruginosos.

INTRODUÇÃO

Os termos geodiversidade, geopatrimônio, geoconservação e geoturismo se encontram na perspectiva de uma visão sistêmica da Terra, podendo-se dizer que o prefixo geo neles utilizado está associado à teoria de Gaia postulada por Lovelock (1995) que considera que o planeta e todos os seus elementos bióticos e abióticos constituem um sistema único de interações, que apresenta uma dinâmica integrada de funcionamento. A inspiração para o nome da teoria vem da mitologia grega onde Gaia, Geia ou Ge (em grego Γαία) é a Mãe-Terra.

Segundo Pereira (2009) Gaia é considerada a mãe primeira, a entidade primordial, a base da fecundação e da criação, a que organizou o mundo. Reza a lenda, que a mãe Terra (Gaia) começa criando a partir de si mesma dando origem a Urano, o céu com quem procria. A união do céu e da terra se faz sem regras. O céu acomoda-se sobre a terra, cobrindo-a inteira, e os filhos gerados não podem sair da mãe Gaia, por falta de distância entre esses dois pais cósmicos. Inconformada, a mãe (Gaia) pede a um de seus filhos, Crono, que, à noite, enquanto o céu (Urano) se debruça sobre ela, que ele (Crono) o castre. Assim, Urano é castrado por um golpe de foice, amaldiçoa os filhos e deixa Gaia liberta.

O geo (diversidade, patrimônio, conservação e turismo) tem uma conotação mais sistêmica da Terra embora o foco principal seja para a diversidade abiótica da natureza. Todos esses termos surgiram a partir da década de 1990 e vêm ganhando espaço nos estudos acadêmicos. A (geo)diversidade diz respeito a variedade de solos, rochas, paisagens, minerais, fósseis e outros elementos da natureza; o (geo)patrimônio está associado a parcela da geodiversidade que tem atributos científicos, culturais, educativos e outros que justificam sua (geo)conservação para gerações futuras; a (geo)conservação se dá por meio da fruição do significado desse (geo)patrimônio com uso de recursos interpretativos que fomentam o desenvolvimento do (geo)turismo – segmento do turismo que tem o (geo)patrimônio como seu principal atrativo.

Pesquisas envolvendo esses temas têm tido grande avanço nos últimos anos. Nesse contexto o artigo tem como objetivo apresentar alguns dos principais métodos e técnicas utilizadas com foco em geossistemas ferruginosos usando como exemplos de aplicação trabalhos desenvolvidos no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais.

MÉTODOS PARA A GEODIVERSIDADE

A geodiversidade pode ser abordada com uso de métodos quantitativos e/ou qualitativos ou ainda considerando à integração entre essas duas perspectivas (Tabela 1). Para Minayo e Sanches (1993) a investigação quantitativa tem como objetivo trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis. A investigação qualitativa, ao contrário, trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões.

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